segunda-feira, 24 de março de 2014

realidade tremida.

envoltos em problemas marginais
estritamente
superficiais

o que comer
o que fazer
o que vestir
jamais
o que
sentir

sinto por ter criado o enredo invertido
era pra ser um romance encantado
fiz um drama sofrido

arranquei do peito enquanto em vida
o pobre coração calejado

intérprete só.

não sou boa intérprete de mim.
sempre há algum ruído na mensagem de quem escuta. se é que escuta. há uma falha no que quero expressar, na feição que minha face desenha, há algo que me impede de fazer-me compreendida. sou péssima intérprete dos meus olhos, das lágrimas e muito menos dos sorrisos.
eu não alcanço o que as pessoas esperam. elas não alcançam o que esperam de mim. há sempre um disse-não-disse. um disse e eu não disse. e...perco o fôlego, perdi o fôlego no entre-espaço de tempo que se localiza entre a boca que se abre, o ar que esquenta, externa e não fala. a boca entreaberta mata o não dito. palavras desperdiçadas. palavras guardadas. palavras apagadas dissolvidas no ar que eu respirei.
cansei bem antes de movimentar.
esqueci dos pés em movimento antes mesmo de sentir vontade de atravessar. fiquei lá...entre o banco da praça, o que disseram e o que eu não quis dizer. eu só...só...eu só.
sozinha.
entre as críticas, entre o que digo e não posso ouvir, entre o que dizem e obrigo-me internar, entre o que todos querem que não é o que eu jamais quis, eis-me aqui. AQUI. nesse local, nesse espaço, nesse MEU corpo que por vezes habito, por vezes me habita.

eu estou onde onde jamais apareci.
estou onde não sou. sou o que não é.
eu só.