Segura aqui a minha mão
Olha como aqui de cima tudo parece tão menos importante
De cima a rainha não precisa do rei
Não existem peões nem torres
As fortalezas se dissiparam no ar junto com toda dor incoerente
Veja
o tudo não é mais verdade
o nada não é mais o nosso ponto de partida
nem o nosso lugar comum
Lá embaixo é tudo tão estranho
Lá eu só quero fugir pra dentro de mim
De mim, das minhas entranhas estranhas
Mergulhar no profundo inexistente dos seus olhos esverdeados
E eu só quero ir pra casa
Ir pra bem longe de nós
Bem longe do que fora uma casa
Denominar o (meu) mundo "casa"
Libertar o incômodo andarilho que me eleva
Enraizar meus pensamentos nômades e ser porto de passagem
E ser ponto de partida
E partir pra não me encontrar
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
um brinde!
de que vale a vida se não for pra viver de goles em goles de paciência? do respirar fundo e recomeçar segundo a segundo?
a vida é o resumo do movimento, é o eterno devir dos sentimentos e pulsões.
nossos desejos são gotículas de vida.
cada vida compõe a areia da praia imortal, que a cada jorrada de vento move-se e constrói-se em outro canto de imensidão.
somos todos nossas vossas vidas.
de gole, de grão, de pulsão de morte que almeja o ser vivente que nos habita.
as explosões, os cliques elétricos em borbulhas no escondido sistema límbico.
a vida é o resumo do movimento, é o eterno devir dos sentimentos e pulsões.
nossos desejos são gotículas de vida.
cada vida compõe a areia da praia imortal, que a cada jorrada de vento move-se e constrói-se em outro canto de imensidão.
somos todos nossas vossas vidas.
de gole, de grão, de pulsão de morte que almeja o ser vivente que nos habita.
as explosões, os cliques elétricos em borbulhas no escondido sistema límbico.
a vida! um brinde à vida! ao que somos e restamos de vida.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
adeus, ciência.
portanto
contudo
entretanto
que fique decretado
que se faz imprescindível
que seja intransferível
que é mister afirmar.
imperioso é dialogar
com o aprofundar dos tons irradiados
do cristal multifacetado
espelhado em mil reflexos desiguais.
desse modo
é possível analisar
destacar
que o destaque está no pôr-do-sol
que a ciência aqui já não se faz presente
que o corpo engessado tomou formas soltas e decolou
alçou voo desesperado
agarrado no caderno de páginas em branco
desejou partir
e
partiu
contudo
entretanto
que fique decretado
que se faz imprescindível
que seja intransferível
que é mister afirmar.
imperioso é dialogar
com o aprofundar dos tons irradiados
do cristal multifacetado
espelhado em mil reflexos desiguais.
desse modo
é possível analisar
destacar
que o destaque está no pôr-do-sol
que a ciência aqui já não se faz presente
que o corpo engessado tomou formas soltas e decolou
alçou voo desesperado
agarrado no caderno de páginas em branco
desejou partir
e
partiu
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
templo
mergulha transloucada
num profundo azul encantado
derrama incorporada sob os prismas das cores variadas
o som das ondas em seus ouvidos
as cordas do violão abraçando o cheiro do mar
enlaça no vestido rasgado toda nota ressoada
afina os ponteiros das mãos traçadas
na linha da morte escolhe o caminho que liga à vida
percorre descalça a jornada estelar
desatina o desassossego
acorda o desespero do cômodo
desconforta o coração coberto
desnuda todo corpo
todo hospedeiro
transmuta o casulo
desapega a máscara
carcaça
disfarce
INCORPORA
IN
CORPO
ORA
num profundo azul encantado
derrama incorporada sob os prismas das cores variadas
o som das ondas em seus ouvidos
as cordas do violão abraçando o cheiro do mar
enlaça no vestido rasgado toda nota ressoada
afina os ponteiros das mãos traçadas
na linha da morte escolhe o caminho que liga à vida
percorre descalça a jornada estelar
desatina o desassossego
acorda o desespero do cômodo
desconforta o coração coberto
desnuda todo corpo
todo hospedeiro
transmuta o casulo
desapega a máscara
carcaça
disfarce
INCORPORA
IN
CORPO
ORA
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
moça, não seja machista.
Eu espero que você não me odeie depois de tudo que vou te contar moça, mas sinto que é preciso.
Você não será mais ou menos feliz se tiver um namorado ou uma namorada. Na verdade, não importa quem está ao seu lado e nem quem está ao seu lado, importa que você goste de estar ao seu próprio lado.
Você não precisa ser a mais bonita.
Você não será mais feliz se for magra, você será feliz se aceitar o que você é e fazer o possível para ter saúde o suficiente pra viver intensamente em companhia de você mesma.
Você não precisa usar as roupas que a revista determinou. Você não precisa ser a modelo da passarela, você não é um cabide, você é simplesmente você.
Você não precisa ter cabelos lisos se os seus não são, nem mesmo loiros se os seus fios são negros.
Você não precisa ouvir de ninguém – e até mesmo acreditar no que ouve – que você é mais clara ou menos clara. Você é NEGRA e você ama ser negra, pois essa é a cor dos seus ancestrais, dos seus parentes e amados.
Você não precisa sentar de perna cruzada para parecer “mais feminina”, você é como se sente confortável.
Os estereótipos e adjetivos dados às mulheres não precisam definir você, assim como não precisam definir pessoa alguma que carrega um título (homem ou mulher).
O decote que você escolheu hoje por achar que vai se sentir mais bonita, o shortinho mais curto, o vestido coladinho, eles não definem nada, eles não dizem nada sobre você. Só você pode dizer a razão por ter escolhido se vestir do modo que se vestiu, assim como não precisa colocar um terno pra mostrar seriedade.
Moça, eu sinto muito, mas você precisa mudar. Você não precisa esperar o seu marido, você não precisa fazer o café da manhã, você não precisa acordar mais cedo pra fazer chapinha e maquiagem. As espinhas no seu rosto são uma disfunção qualquer causada pelos seus hormônios chateados com tanta coisa que você vem tomando pra tentar mudar você mesma.
Moça, você também pode dirigir o carro e tomar as rédeas da sua vida.
Olha, eu tenho muito a te dizer, mas eu só quero que você saiba que nós, mulheres porque assim fomos marcadas, assim fomos definidas anatomicamente, precisamos ser felizes exatamente assim como somos. Gordas, magras, altas, baixas, com espinhas, com sardinhas, com pneuzinho, com cabelo crespo, ondulado ou liso, com decote, com salto alto, com unhas roídas ou unhas vermelhas, com samba no pé ou tango, com diploma ou sem diploma, negra, branca, índia, cigana, amarela ou bruxa: SEJA VOCÊ. Orgulhe-se de quem você é e de quem pode se tornar, dos seus gostos e escolhas. DEFENDA-SE do que te impedem de ser.
Você não depende de ninguém para existir e valorizar a sua existência.
Um beijo, moça, com muito amor de uma mulher que também quer muito ser feliz e existir em um mundo que nos torna meros objetos sexualizados, invisíveis e, ironicamente e obviamente, castradas.
Você não será mais ou menos feliz se tiver um namorado ou uma namorada. Na verdade, não importa quem está ao seu lado e nem quem está ao seu lado, importa que você goste de estar ao seu próprio lado.
Você não precisa ser a mais bonita.
Você não será mais feliz se for magra, você será feliz se aceitar o que você é e fazer o possível para ter saúde o suficiente pra viver intensamente em companhia de você mesma.
Você não precisa usar as roupas que a revista determinou. Você não precisa ser a modelo da passarela, você não é um cabide, você é simplesmente você.
Você não precisa ter cabelos lisos se os seus não são, nem mesmo loiros se os seus fios são negros.
Você não precisa ouvir de ninguém – e até mesmo acreditar no que ouve – que você é mais clara ou menos clara. Você é NEGRA e você ama ser negra, pois essa é a cor dos seus ancestrais, dos seus parentes e amados.
Você não precisa sentar de perna cruzada para parecer “mais feminina”, você é como se sente confortável.
Os estereótipos e adjetivos dados às mulheres não precisam definir você, assim como não precisam definir pessoa alguma que carrega um título (homem ou mulher).
O decote que você escolheu hoje por achar que vai se sentir mais bonita, o shortinho mais curto, o vestido coladinho, eles não definem nada, eles não dizem nada sobre você. Só você pode dizer a razão por ter escolhido se vestir do modo que se vestiu, assim como não precisa colocar um terno pra mostrar seriedade.
Moça, eu sinto muito, mas você precisa mudar. Você não precisa esperar o seu marido, você não precisa fazer o café da manhã, você não precisa acordar mais cedo pra fazer chapinha e maquiagem. As espinhas no seu rosto são uma disfunção qualquer causada pelos seus hormônios chateados com tanta coisa que você vem tomando pra tentar mudar você mesma.
Moça, você também pode dirigir o carro e tomar as rédeas da sua vida.
Olha, eu tenho muito a te dizer, mas eu só quero que você saiba que nós, mulheres porque assim fomos marcadas, assim fomos definidas anatomicamente, precisamos ser felizes exatamente assim como somos. Gordas, magras, altas, baixas, com espinhas, com sardinhas, com pneuzinho, com cabelo crespo, ondulado ou liso, com decote, com salto alto, com unhas roídas ou unhas vermelhas, com samba no pé ou tango, com diploma ou sem diploma, negra, branca, índia, cigana, amarela ou bruxa: SEJA VOCÊ. Orgulhe-se de quem você é e de quem pode se tornar, dos seus gostos e escolhas. DEFENDA-SE do que te impedem de ser.
Você não depende de ninguém para existir e valorizar a sua existência.
Um beijo, moça, com muito amor de uma mulher que também quer muito ser feliz e existir em um mundo que nos torna meros objetos sexualizados, invisíveis e, ironicamente e obviamente, castradas.
segunda-feira, 24 de março de 2014
realidade tremida.
envoltos em problemas marginais
estritamente
superficiais
o que comer
o que fazer
o que vestir
jamais
o que
sentir
sinto por ter criado o enredo invertido
era pra ser um romance encantado
fiz um drama sofrido
arranquei do peito enquanto em vida
o pobre coração calejado
estritamente
superficiais
o que comer
o que fazer
o que vestir
jamais
o que
sentir
sinto por ter criado o enredo invertido
era pra ser um romance encantado
fiz um drama sofrido
arranquei do peito enquanto em vida
o pobre coração calejado
intérprete só.
não sou boa intérprete de mim.
sempre há algum ruído na mensagem de quem escuta. se é que escuta. há uma falha no que quero expressar, na feição que minha face desenha, há algo que me impede de fazer-me compreendida. sou péssima intérprete dos meus olhos, das lágrimas e muito menos dos sorrisos.
eu não alcanço o que as pessoas esperam. elas não alcançam o que esperam de mim. há sempre um disse-não-disse. um disse e eu não disse. e...perco o fôlego, perdi o fôlego no entre-espaço de tempo que se localiza entre a boca que se abre, o ar que esquenta, externa e não fala. a boca entreaberta mata o não dito. palavras desperdiçadas. palavras guardadas. palavras apagadas dissolvidas no ar que eu respirei.
cansei bem antes de movimentar.
esqueci dos pés em movimento antes mesmo de sentir vontade de atravessar. fiquei lá...entre o banco da praça, o que disseram e o que eu não quis dizer. eu só...só...eu só.
sozinha.
entre as críticas, entre o que digo e não posso ouvir, entre o que dizem e obrigo-me internar, entre o que todos querem que não é o que eu jamais quis, eis-me aqui. AQUI. nesse local, nesse espaço, nesse MEU corpo que por vezes habito, por vezes me habita.
eu estou onde onde jamais apareci.
estou onde não sou. sou o que não é.
eu só.
sempre há algum ruído na mensagem de quem escuta. se é que escuta. há uma falha no que quero expressar, na feição que minha face desenha, há algo que me impede de fazer-me compreendida. sou péssima intérprete dos meus olhos, das lágrimas e muito menos dos sorrisos.
eu não alcanço o que as pessoas esperam. elas não alcançam o que esperam de mim. há sempre um disse-não-disse. um disse e eu não disse. e...perco o fôlego, perdi o fôlego no entre-espaço de tempo que se localiza entre a boca que se abre, o ar que esquenta, externa e não fala. a boca entreaberta mata o não dito. palavras desperdiçadas. palavras guardadas. palavras apagadas dissolvidas no ar que eu respirei.
cansei bem antes de movimentar.
esqueci dos pés em movimento antes mesmo de sentir vontade de atravessar. fiquei lá...entre o banco da praça, o que disseram e o que eu não quis dizer. eu só...só...eu só.
sozinha.
entre as críticas, entre o que digo e não posso ouvir, entre o que dizem e obrigo-me internar, entre o que todos querem que não é o que eu jamais quis, eis-me aqui. AQUI. nesse local, nesse espaço, nesse MEU corpo que por vezes habito, por vezes me habita.
eu estou onde onde jamais apareci.
estou onde não sou. sou o que não é.
eu só.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
um livro que fique de pé.
ontem, ao voltar pra casa após acontecimentos, acabei mergulhando em mim como há muito tempo não fazia. tentei buscar fatos da infância, daquela infância que hoje soa tão doce e animada como as cantigas de roda que minha mãe cantava. fatos do crescimento, das rodinhas da bicicletinha vermelha, das bonecas e das tesouras que cortei não apenas os cabelos delas, mas o meu também. dos picolés, dos pic-nics, das peças de teatro apresentadas nas festinhas de rua, nas fogueiras, no baleado, no pé batendo forte na areia da rua em uma corrida corriqueira, nos meninos, nas meninas, nos cacaus do vizinho, nos cachorros dos vizinhos, nos longos passeios de mini-bug, na espera pelo meu pai aos sábados, as idas ao clube, a água, o pé que um dia encostou no fundo azul da piscina, das minhas cachorras, das galinhas, dos gatos, dos tantos pássaros e no meio de tantas outras coisas que quis esquecer de lembrar, lembrei das lágrimas. das brigas, do choro, da angústia, da sensação de impotência. hoje cedo li que o corpo só se concretiza na perspectiva da angústia. será que foram e são nesses momentos que sinto que sou corpo? talvez.
mas chorei...chorei por perceber que muitas coisas não voltam mais e por perceber que muitas coisas ruins ainda estão aqui.
pensei em escrever um livro para quem sabe conseguir registrar toda minha trajetória de vida, não para que outros vejam, mas uma tentativa de resgate. pensei que nunca fosse esquecer, mas hoje, com 25 anos, me lembro de poucas coisas e muitas das coisas que quero lembrar.
lembro de tirar milho verde de espiga sentada na porta da cozinha, de locais que meus pais me levavam, casas de amigos, meu cavalo do meu pai...
sei que chorei.
chorei prq me senti encurralada dentro das minhas memórias e do presente que fortalece esse passado duro de lembrar, do futuro comprometido com as chamas do passado no frequente presente abatido.
sei que vou chorar...
saudades de ser pequena, de não vestir blusa nem máscaras, de chorar por não entender, de chorar por abraço prq era isso que apenas queria e simbolizava. hoje choro por todos os abraços não dados e que não darei.
o choro é o jorro do passado no presente que brota.
mas chorei...chorei por perceber que muitas coisas não voltam mais e por perceber que muitas coisas ruins ainda estão aqui.
pensei em escrever um livro para quem sabe conseguir registrar toda minha trajetória de vida, não para que outros vejam, mas uma tentativa de resgate. pensei que nunca fosse esquecer, mas hoje, com 25 anos, me lembro de poucas coisas e muitas das coisas que quero lembrar.
lembro de tirar milho verde de espiga sentada na porta da cozinha, de locais que meus pais me levavam, casas de amigos, meu cavalo do meu pai...
sei que chorei.
chorei prq me senti encurralada dentro das minhas memórias e do presente que fortalece esse passado duro de lembrar, do futuro comprometido com as chamas do passado no frequente presente abatido.
sei que vou chorar...
saudades de ser pequena, de não vestir blusa nem máscaras, de chorar por não entender, de chorar por abraço prq era isso que apenas queria e simbolizava. hoje choro por todos os abraços não dados e que não darei.
o choro é o jorro do passado no presente que brota.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
guitarras e abutres.
me deito de canto em canto do meu corpo e não me recolho,
não alcanço os vestígios de mim.
está tudo tão partido, tudo tão bipartido que fica difícil enxugar o jorro do choro.
as cordas vão dedilhando-se como que por vontade própria. contração.
em posição quase fetal inicio um passeio sem volta no mar profundo dos meus olhos refletidos no espelho quebrado.
aonde estou?
no espaço vazio do não-lugar aconteço em movimentos não captados pelos vossos olhos.
sinto a coluna partir-se ao meio na tentativa de levantar o corpo do chão frio. desisto.
fechar os olhos me faz recordar do prefácio prometido da morte.
sou o abutre do meu corpo morto, o urubu carniceiro que me engolirá.
o não de toda minha submissão é o não chorar diante da solidão
que dói.
por alguns instantes pensei na vida que prometi.
de todas as promessas, cumpri a de ser infeliz.
o cheiro de sangue ainda impregna minhas narinas, minhas roupas, meus espaços e o vácuo que me rodeia.
para onde vou?
o cheiro de terra molhada, as lápides desenhadas, os exús guardando o espaço não-meu.
quantos segundos duram os segundos em que uma lágrima jorra escorregadia por todo meu rosto?
quantos segundos duram para o peso do corpo abandonar o meu corpo?
quantas gramas o ar que me falta pesa?
a guitarra ainda distorce meus pensamentos, permaneço em algum canto fingindo vida, contorcendo o corpo em busca de dor que me presenteia com vida.
e a guitarra ainda toca...
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
ai, que saudade...
a mesma cadeira, os mesmos cacos sobre a mesa.
os mesmos sorrisos, os mesmos não-sorrisos, as mesmas sensações.
ano novo, fruto do ano velho, o que tem pra mim?
horas sentada, horas andando, horas molhando as mãos para lavar os pratos do almoço do ano passado.
o calor aquece o corpo inerte ao tempo, inerte ao contexto.
e as horas passam...
o sol inicia o alaranjar, colore em tons pastéis o verde sorridente que rodeia a casa.
permaneço sentada.
cada gota de vida pinga na minha vida e tudo se derrama, tudo se escorre, tudo se afasta. tudo esvazia e tudo fura. há um buraco entre nós, entre o mundo e eu. um abismo que transborda nos sorrisos que vivem nos cantos dos finos lábios e dentes pequenos.
o entre-lugar acontece no instante em que a gota do choro jorra e espirra na face que chora.
os mesmos sorrisos, os mesmos não-sorrisos, as mesmas sensações.
ano novo, fruto do ano velho, o que tem pra mim?
horas sentada, horas andando, horas molhando as mãos para lavar os pratos do almoço do ano passado.
o calor aquece o corpo inerte ao tempo, inerte ao contexto.
e as horas passam...
o sol inicia o alaranjar, colore em tons pastéis o verde sorridente que rodeia a casa.
permaneço sentada.
cada gota de vida pinga na minha vida e tudo se derrama, tudo se escorre, tudo se afasta. tudo esvazia e tudo fura. há um buraco entre nós, entre o mundo e eu. um abismo que transborda nos sorrisos que vivem nos cantos dos finos lábios e dentes pequenos.
o entre-lugar acontece no instante em que a gota do choro jorra e espirra na face que chora.
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