mulher, não beba.
não xingue, jamais-beba.
cale-se.
você
fala
demais.
pernas abertas, feche-as.
afasta de você esse cálice.
bebe, fala, histérica.
d
e
s
e
s
p
è
r
o.
ao piano, aos versinhos,
às cartas de amor, às florzinhas do jardim,
ao fútil.
volátil.
ao homem, a mim, O sol,
o ardor, o útil, o sabor.
abra suas pernas pra mim, babe.
traga o cálice.
eu te bebo,
mulher.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
perda de turgescência dos tecidos foliares e das partes suculentas dos ramos.
ela disse não.
seu corpo todo tremeu. franziu. estremeceu.
MENTIROSA.
seu não é feito de culpa. seu confeito é pecado. ERRADO.
no fundo do copo, o corpo disse sim.
deu de ombros.
- não.
e permaneceu não, ão, não agindo como não.
nos conformes do sim eu digo não.
culpa, vergonha, flor vermelha amputada, murcha e castrada:
não.
seu corpo todo tremeu. franziu. estremeceu.
MENTIROSA.
seu não é feito de culpa. seu confeito é pecado. ERRADO.
no fundo do copo, o corpo disse sim.
deu de ombros.
- não.
e permaneceu não, ão, não agindo como não.
nos conformes do sim eu digo não.
culpa, vergonha, flor vermelha amputada, murcha e castrada:
não.
chuviscos.
chove, vê?
chove.
chove lá fora
chove aqui dentro
chove o choro que chora em mim.
me afogo no rio que curva as curvas do meu corpo
chove líquido
chove movimento
chove.
vê.
entre as bifurcações da vida, escolhemos o oposto dos nossos. o gotejar das chuvas que passaram por nossas vidas pingam no ritmo dos corações quase-pulsantes. um pingo ali, uma gota aqui, um jorro de face aqui. em algum momento do soluçar o coração pulsa, como que se lembrasse que para chorar precisa pulsar.
quanto mais chove
mais jorra
quanto mais jorra
mais chora
chove,
vê?
chove.
chove lá fora
chove aqui dentro
chove o choro que chora em mim.
me afogo no rio que curva as curvas do meu corpo
chove líquido
chove movimento
chove.
vê.
entre as bifurcações da vida, escolhemos o oposto dos nossos. o gotejar das chuvas que passaram por nossas vidas pingam no ritmo dos corações quase-pulsantes. um pingo ali, uma gota aqui, um jorro de face aqui. em algum momento do soluçar o coração pulsa, como que se lembrasse que para chorar precisa pulsar.
quanto mais chove
mais jorra
quanto mais jorra
mais chora
chove,
vê?
sábado, 5 de outubro de 2013
incorpora II.
e na carne crua do meu peito seu
coração pulsou
pulou
estremeceu.
tiro do corpo a ferida aberta
choro
culpo
penso
repenso.
corpo nu, cru, deslocado.
engatinha no paraíso das crenças não suas
desatina.
i n c o r p o r a!
veste-se das vestes de seu corpo
nu.
coração pulsou
pulou
estremeceu.
tiro do corpo a ferida aberta
choro
culpo
penso
repenso.
corpo nu, cru, deslocado.
engatinha no paraíso das crenças não suas
desatina.
i n c o r p o r a!
veste-se das vestes de seu corpo
nu.
EM CORPO
deslizei a mão pelo meu corpo, como que por quem procura algo.
fui conhecendo as curvas do meu hospedeiro - condenado - encolhido pela vergonha do eu. meu. meu...eu...
era como se passar [de] as mãos pelo entorno do corpo, ele, por ele mesmo e ali, se encorporasse, enchesse, tomasse forma. descobrisse pesar, ser eu de ele mesmo. empoderando-se osso por osso, pele por pele.
eu, corpo, meu corpo. vazio, cheio, curvado, em posição fetal.
curva escura gruta, esconderijo das flores vermelhas e dos segredos profundos.
não deve ser segredo, este teu corpo. apronte-se, mostre-se, seja! seja-seu-eu.
meu?
corpo, meu quarto, hospício de mim.
hospitaleiro, hospedeiro, irregular em curvas justapostas.
tantos segredos na alma que no corpo as marcas foram feitas.
a culpa pediu desculpas, afastou-se para fazer do tabu simples sorrir torto de criança leve.
santo, corpo santo; baixa, entrelaça. tira essa cruz do pescoço e dele faz fala.
i n c o r p o r a !
baixa em si, de ti, entidade do corpo seu.
você, corpo, você é todo meu.
fui conhecendo as curvas do meu hospedeiro - condenado - encolhido pela vergonha do eu. meu. meu...eu...
era como se passar [de] as mãos pelo entorno do corpo, ele, por ele mesmo e ali, se encorporasse, enchesse, tomasse forma. descobrisse pesar, ser eu de ele mesmo. empoderando-se osso por osso, pele por pele.
eu, corpo, meu corpo. vazio, cheio, curvado, em posição fetal.
curva escura gruta, esconderijo das flores vermelhas e dos segredos profundos.
não deve ser segredo, este teu corpo. apronte-se, mostre-se, seja! seja-seu-eu.
meu?
corpo, meu quarto, hospício de mim.
hospitaleiro, hospedeiro, irregular em curvas justapostas.
tantos segredos na alma que no corpo as marcas foram feitas.
a culpa pediu desculpas, afastou-se para fazer do tabu simples sorrir torto de criança leve.
santo, corpo santo; baixa, entrelaça. tira essa cruz do pescoço e dele faz fala.
i n c o r p o r a !
baixa em si, de ti, entidade do corpo seu.
você, corpo, você é todo meu.
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