a mesma cadeira, os mesmos cacos sobre a mesa.
os mesmos sorrisos, os mesmos não-sorrisos, as mesmas sensações.
ano novo, fruto do ano velho, o que tem pra mim?
horas sentada, horas andando, horas molhando as mãos para lavar os pratos do almoço do ano passado.
o calor aquece o corpo inerte ao tempo, inerte ao contexto.
e as horas passam...
o sol inicia o alaranjar, colore em tons pastéis o verde sorridente que rodeia a casa.
permaneço sentada.
cada gota de vida pinga na minha vida e tudo se derrama, tudo se escorre, tudo se afasta. tudo esvazia e tudo fura. há um buraco entre nós, entre o mundo e eu. um abismo que transborda nos sorrisos que vivem nos cantos dos finos lábios e dentes pequenos.
o entre-lugar acontece no instante em que a gota do choro jorra e espirra na face que chora.
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