segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

um livro que fique de pé.

ontem, ao voltar pra casa após acontecimentos, acabei mergulhando em mim como há muito tempo não fazia. tentei buscar fatos da infância, daquela infância que hoje soa tão doce e animada como as cantigas de roda que minha mãe cantava. fatos do crescimento, das rodinhas da bicicletinha vermelha, das bonecas e das tesouras que cortei não apenas os cabelos delas, mas o meu também. dos picolés, dos pic-nics, das peças de teatro apresentadas nas festinhas de rua, nas fogueiras, no baleado, no pé batendo forte na areia da rua em uma corrida corriqueira, nos meninos, nas meninas, nos cacaus do vizinho, nos cachorros dos vizinhos, nos longos passeios de mini-bug, na espera pelo meu pai aos sábados, as idas ao clube, a água, o pé que um dia encostou no fundo azul da piscina, das minhas cachorras, das galinhas, dos gatos, dos tantos pássaros e no meio de tantas outras coisas que quis esquecer de lembrar, lembrei das lágrimas. das brigas, do choro, da angústia, da sensação de impotência. hoje cedo li que o corpo só se concretiza na perspectiva da angústia. será que foram e são nesses momentos que sinto que sou corpo? talvez.
mas chorei...chorei por perceber que muitas coisas não voltam mais e por perceber que muitas coisas ruins ainda estão aqui.
pensei em escrever um livro para quem sabe conseguir registrar toda minha trajetória de vida, não para que outros vejam, mas uma tentativa de resgate. pensei que nunca fosse esquecer, mas hoje, com 25 anos, me lembro de poucas coisas e muitas das coisas que quero lembrar.
lembro de tirar milho verde de espiga sentada na porta da cozinha, de locais que meus pais me levavam, casas de amigos, meu cavalo do meu pai...

sei que chorei.
chorei prq me senti encurralada dentro das minhas memórias e do presente que fortalece esse passado duro de lembrar, do futuro comprometido com as chamas do passado no frequente presente abatido.

sei que vou chorar...
saudades de ser pequena, de não vestir blusa nem máscaras, de chorar por não entender, de chorar por abraço prq era isso que apenas queria e simbolizava. hoje choro por todos os abraços não dados e que não darei.

o choro é o jorro do passado no presente que brota.

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